sábado, 21 de novembro de 2009

"Arre, estou farto de semideuses!Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Clarisse - Fragmentos

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos!Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

terça-feira, 25 de agosto de 2009

E é tão bom não ser divina...

Porque às vezes é preciso transgredir.
"Para os erros há perdão..." Alguém disse. Há perdão e há que se perdoar. Estamos todos sujeitos ao erro e é isso que nos torna seres tão especiais e únicos. Afinal, o erro nada mais é que um caminho para o acerto.
E entre um caminho e outro que a vida nos oferece, por inúmeras vezes escolhi o mais sensato, natural que não quisesse correr riscos. Todavia a sensatez às vezes poda a árvore da gente. É necessário um pouco de insensatez até para o nosso auto conhecimento (para os que se importam com isso). Quem sou eu? Do que sou capaz? Quais são meus limites? Tenho-os?
É tudo tão infinito quanto misterioso. Talvez não tenhamos mesmo esse poder de auto conhecimento a que tanto buscamos, mas e daí? Por isso pararemos no meio?
Todas as regras e normas que conhecemos nos foram impostas por alguém. Quem sou eu afinal? Um produto criado pela sociedade e feito aos seus moldes? Ou um ser pensante capaz de identificar o melhor modo de ser eu nessa bagunça boa que é a vida?
Eu quero a beleza do erro, a alegria do perdão e as dádivas da sabedoria. Quero conhecer-me de outras formas, porque não sou só isso que vêem, nem que pensam, nem que penso. Sou mais e além. Melhor não. Diferente, talvez.
"Vamos nos permitir", já dizia o poeta! Pra que todos esses cárceres que criamos a nossa volta? Uma forma nada agradável de nos boicotarmos. Nos preocupamos tanto e sempre com a forma como somos vistos e na primeira escorregada que damos somos nós os primeiros a nos criticar. O outro é sempre mais generoso conosco do que nós mesmos.
É falta de amor próprio? Não sei. Mas passamos a vida tendo que perdoar, entender, aceitar... os outros. Por que com a gente tem que ser diferente?
Amar é entender essa imperfeição da qual somos feitos. É nos garantir o direito à felicidade sem essa nossa cotidiana auto flagelação. Ninguém é perfeito. Que bom! Tudo certinho e perfeito vem acompanhado de uma bela chatice...
Um brinde à imperfeição! Esse ingrediente que - ao meu ver - faz a vida valer a pena!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Conversa fiada

Tenho um gosto só meu pelas surpresas da vida... Não surpresas tipo: carro com auto falante e declarações de amor, ou um telefonema em plena madrugada pra dizer que ama... Não, essas surpresas não são exatamente atraentes pra mim... Falo das surpresas que escapam a rotina. Das surpresas cotidianas... Da surpresa de, depois de planejado o dia, nada daquilo acontece e você gosta! E até da surpresa de descobrir que mesmo uma "desgraça" de tempos atrás pode ter acontecido para que a graça de tempos presentes e, por que não, futuros prevaleça. É assim que a vida tem se seguido... Sempre a rir pelas desgraças de outrora (ê palavrinha boa!) Hoje minha barriga doeu de rir. Rimos sem pudores. Rimos pela sétima vez do mesmo fato. E riremos mais sete e sete e sete... E quantas vezes nos encontrarmos, e sempre com a barriga doendo como da primeira vez.

Também tenho um gosto só meu por marcar dois e até três compromissos num mesmo horário e depois não saber o que fazer... (ok, isso não é gosto e não é legal, preciso trabalhar isso... mas é que todas as propostas sempre parecem tão interessantes que não consigo escolher.. rs) E numa dessas, acabei desmarcando um compromisso e o troquei por um bom papo! Sim, achei uma troca justa, aliás justíssima, já que minha ausência no compromisso só prejudicaria a mim mesma e , em contra partida, minha presença em um bate papo pode trazer benefícios para mim e para os outros! Ah... Como é bom a arte da conversa, aliás, se tem uma coisa que prezo na vida é uma pessoa que saiba conversar... Numa conversa tem que haver troca, cumplicidade até! É preciso mais que uma cultura de fazer inveja a qualquer um, viagens e mais viagens, livros e mais livros, domínio de vários idiomas... Nada disso importa! Importa a sensibilidade, o saber ouvir, mais do que isso, a parceria... Sim, tenho parceiros de boas conversas! E não os descarto por nada! Esses são pra vida! 24 horas é pouco, porque o assunto não acaba, até porque a vida é cheia de assuntos e precisaríamos de muito tempo para esgotá-los, mas não há! Todavia, nessa correria da vida acabamos por não ter esse privilégio todos os dias (uma pena) e quando isso acontece é simplesmente sensacional! Um amigo (um desses raros parceiros) diz que quando casar será com uma mulher com quem converse muito, até porque, depois de alguns muitos anos, é só o que a idade e a indisposição que ela traz permitirá que farão! Sábias palavras. Sábio amigo. Te dedico!

domingo, 26 de julho de 2009

Porque quando tudo parece me faltar a poesia me dá colo...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

LÁGRIMA DO SÉTIMO DIA

Por favor
Não me calem quando eu chorar
É atestado de ciso
é o mesmo que riso
quando eu chorar
Sou poeta
e chorar é minha musculação
Exercício.
Por favor não me incomodem quando eu chorar.
É o macaco
feliz da mutação
é lavação de olho
é a costela de Adão
sentindo
sem ninguém questionar

É Deus descansando
em emoção no sétimo dia
depois de delirar.


(Elisa Lucinda)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

24 horas dá?
Não, não dá.
Há que se lavar passar cozinhar trabalhar
Equilibrar saltar sapatear cantar...
24 horas dá?
Estudar comunicar pagar bater apanhar
Ler escrever comer beber
passear transar amar pensar

Conjugar

E, nesse intervalo, viver

Sofro pelo gosto dos verbos
Conheço quem também
Que o meu futuro do subjuntivo
Alcance logo a paz que o meu presente do indicativo merece
Para que no meu pretérito perfeito eu possa dizer que, apesar da vida ser sempre imperativa comigo,
eu consegui!.
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Consegui fazer tudo e um pouco mais
Consegui não fazer nada e não me sentir culpada por isso
Consegui apagar do meu dicionário a palavra culpa
Consegui ler as notícias do jornal e, ainda assim, ver a poesia da vida
Consegui também não endurecer com o passar dos anos
Consegui manter viva minha criança, mesmo que em tempos de gente grande
Consegui aprender e consegui ensinar também
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Também sofro de medo de verbo
Futuro é um tempo assustador
Procuro um gerundio que possa estar me salvando.